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sexta, bigode e che...

Sexta-feira, estréia de Diários de motocicleta, mas tenho faculdade...

Ir ou não ir, eis a questão!

Não ir! Aonde? Não ir à aula... Claro!

Esse tipo de filme geralmente não chega nos cinemas daqui, mas como é Walter Salles (Central do Brasil) o assunto é outro.

Vamos ao filme...

Sessão das 18h, um expresso antes do filme e o show vai começar.

Bom, o show vai começar, mas a platéia não parece muito empolgada. Não importa, as sete pessoas dentro do cinema vão gostar muito do filme, sete é um número bom.

Sento na minha poltrona e em seguida vejo o oitavo passageiro. Ele carrega consigo sacolas plásticas de supermercado. Quem vai ao cinema depois do supermercado?

Alto, magro, com mulletts e um bigodinho. Logo pensei, é um fã do Che Guevara. Mas com sacolas de supermercado?

Ele sentou e tirou da sacola um saco de salgadinhos e uma água mineral. Aahhhh, agora entendi. O bigode é comunista, não vai beber coca-cola nem comer pipoca!

Que merda! Os salgadinhos do bigode fazem mais barulho que pipoca! Quando ele percebeu que eu estava incomodado, ele ofereceu um pouco dos salgadinhos barulhentos. Não aceitei, são muito gordurosos!

Algo que me impressionou bastante foi o fato do bigode não pegar nos salgadinhos. Que cara estranho, ele deve ter T.O.C. (transtorno obsessivo compulsivo). Que dificuldade para comer um mísero salgadinho! Ele tinha que empurrar o salgadinho até a beira do saco e assim levava-o a boca. Porra! Será que a mão dele estava tão suja?

Agora ele bebeu a água direto da garrafa! Acho que ele não sabe que essas garrafinhas ficam em depósitos cheios de ratos e estes urinam nelas. Que pena do bigode! No entanto não quis avisá-lo, achei que seria uma revelação traumática para ele.

Acho que agora posso falar sobre o filme. O filme é bom, recomendo. Não vou contar o filme porque todos críticos babacas já fizeram isso, mas quero comentar um assunto. O filme fala sobre a viagem de Che pela América latina, onde ele pôde conhecer a situação crítica da população e começar a refletir sobre uma solução para tal problema. Essa viagem mudou a vida de Che, que passou a dedicar a vida à revolução. Isto aconteceu em 1950, mas se nós viajarmos pela América latina agora vamos ver os mesmos problemas que o jovem Che viu. Pobreza, injustiça, doenças, fome, miséria. Quantos irão parar para pensar no fato? Quantos irão pensar em mudar esta situação?  Acho que eu não preciso responder...

 

 

por Rafael Ihara às 23h03
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manaus... manaus...

Eu sempre reclamei e vou continuar reclamando de Manaus, oh cidade provinciana.

            Não existe cultura por aqui. Afirmando isto devo passar a idéia de que sou um cara muito culto. Não, não sou. Mas não preciso ser um erudito para perceber tal fato.

            Nós nunca nos destacamos na literatura. Temos poucos escritores, a grande maioria regionalista. Poucos são lembrados fora daqui. Aníbal Beça e Thiago de Mello são os mais conhecidos. Sendo que o último, só é lembrado por uma obra (Os estatutos do homem).

            Na dramaturgia também somos um desastre. Apesar de ter um dos melhores teatros do Brasil (apenas a parte interna, porque a parte externa é ridícula, muito colorida), Manaus não tem nenhum grupo de teatro que possa ser considerado razoável (grupo Metamorfose é putaria). E as peças que fazem turnê pelo Brasil se esquecem de passar por aqui, deixando o teatro à mercê do Senhor Robério Braga.

            Cinema? Temos dois cinemas Multiplex que oferecem apenas películas de péssima qualidade. Raramente é possível assistir a um bom filme por aqui. E olha que não estou nem pedindo por filmes europeus ou argentinos, quero os brasileiros, essa nova safra que tem impressionado platéias do mundo inteiro, mas infelizmente não chegou na cidade. O festival de um minuto? Que coisa ridícula! Um sujeito chamado Júnior (isso é nome?), que se acha um grande cineasta, resolveu espalhar suas técnicas pela cidade e pelo estado. Resultado? Uns 200 curtas babacas, abordando temas clichês (drogas, violência, pobreza, lutas, comédias sem graça). Porra, Júnior! Quer fazer algo? Faz direito então!

            E a música? Temos boi aqui. Não o animal, mas a música bovina. Não acho que ainda seja regional, parece mais uma ramificação do axé (que estragou o carnaval do Nordeste, espalhando a merda baiana por todos estados, mas isto é outro assunto). Fora o boi, temos a música popular amazonense que se resume a “Porto de lenha, tu nunca serás Liverpool”. Também temos modinhas (e-music, rap, reggae) que não duram muito tempo (se bem que essa merda de reggae está demorando). Não vou esquecer de duas bandas legais, Several Skin e Soda Billy (quero os cds pela propaganda). Ou seja, não podemos falar que existe um cenário musical na região.

            Daí, um sujeito que ama a cidade vem me falar: Rafael, se você não está satisfeito, por que não tenta melhorar? Bom, eu nunca tentei, nem vou tentar, mas conheço pessoas que tentaram. Posso citar exemplos recentes: o show do autoramas, a mostra panorama cinema mundo, o festival de ópera, o clube do dvd. Todos esses exemplos foram tentativas de expandir as preferências culturais dos caboclos. Tentativas frustradas, público mínimo, resultado negativo. Não existe espaço para a cultura por aqui, infelizmente. Talvez daqui a vinte anos... É ou não é?

                       

por Rafael Ihara às 10h29
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"Oi... posso saber o que você está fazendo?" "Estou lixando essa pedra para que vire um espelho..." "Ahhnnn... mas... isso é uma barra de ferro..."" "E quem pode dizer o que é o mundo? Quem pode afirmar, com base científica, religiosa ou qualquer que seja, que o mundo é como sempre disseram que é?" "Ora... eles mostraram provas! Você nunca leu um livro?!" "Li... mas nunca vi um átomo... nunca fui ao espaço... nunca pisei na Lua... nunca fui ás fossas abissais... nunca andei pelo mundo todo... nunca fiz muitas do que os livros contam..." "Mas só por que você não presenciou ou testou tudo, não quer dizer que seja falso..." "E se eu lhe der um livro com a fisiologia de um unicórnio, bem como a descriçao de toda a sua sociedade?" "Absurdo! Unicórnios não existem!" "Como você pode afirmar?" "Ninguém nunca viu um" "Algumas pessoas afirmam que viram... Já é mais gente vendo um unicórnio que um átomo... que ninguém afirma ter visto. Será que esse seu mundo realmente existe? Será que você pode acreditar com uma fé tão cega o que Deus e homem te passa? Ciência é apenas uma religião antropocêntrica... Você pode viver com essa fé... mas se o fato de ser enganado o incomoda, então sente-se aqui e me ajude a polir essa pedra..." "..."
por Thiago Monteiro às 03h12
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Vida no 0%
Pense quais as possibilidades de você morrer neste exato momento. Difícil até mesmo pensar em todas as possibilidades. Agora some todas essas possibilidades. Qual é a chance de você estar vivo neste exato momento? 0,000...01%. E isso é muito pouco. De fato, estatisticamente, um número tão próximo de 0, pode ser considerado 0. 0%. Nenhuma chance de vida. Não existe a menor possibilidade de estarmos vivos neste momento, por que por alguma combinaçao de fatores, algo está nos matando exatamente agora. Agora pense na possibilidade de achar a sua alma gêmea. Melhor, de não achar. 3 bilhões de mulheres para procurar em apenas, digamos, 70 anos de vida. São apenas 25565 dias de vida aproxidamente. Isso quer dizer que você deveria testa mais de 110mil mulheres todo dia para descobrir a sua alma gêmea, se existisse. Considerando que pode haver vida inteligente fora do sistema solar, a probabilidade cai mais ainda. Mais uma vez a estatística vai contra o objetivo. Nem se fale quanto a ser um especialista em uma área. Não há possibilidade de você saber tudo. Isso tudo quer dizer que estamos destinados a morrer e falhar? Não. A priori, não. Possivelmente a mágica da vida resida no fato de ela ser impossível. e Dentro dessa impossibilidade realizarmos feitos que também beiram o impossível. A existência como um todo é absurda. Quais as chances que poeira cósmica formasse a vida humana? Se você formulasse uam teoria com essa chance de acontecer, seria certamente tachado de louco. E com razão. A vida é uma loucura. Por esse motivo mesmo deve ser vivida intensa e loucamente. Por esse motivo não desperdiçada. Possuir um tesouro inexistente e que vale mais que qualquer outro, além de paradozxal, é magnifíco. O que fazer com seu 0% ou qual 0% perseguir depende de cada pessoa, mas vendo tudo isso, podemos ter a certeza que nada é impossível, mesmo aquilo que não tem chance nenhuma de acontecer...
por Thiago Monteiro às 03h01
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